A Sucessora

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0156L18603

Categoria 6: 1º ao 3º anos do Ensino Médio
Gênero: Romance
Temas:
- Diálogos com a sociologia e a antropologia
- Papel da mulher na sociedade
- Igualdade de gêneros
Número de páginas: 200

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SINOPSE DA OBRA

A sucessora une prosa intimista e psicológica ao dar voz a uma protagonista feminina: Marina, uma jovem recém-casada que após uma romântica lua de mel muda-se para a mansão do marido, o milionário Roberto Steen. Ao entrar em sua nova residência, depara-se com um imponente retrato de Alice, a primeira mulher de Roberto, falecida poucos meses antes de Marina e ele se conhecerem. Alice era dona de uma personalidade exuberante e um ícone da sociedade carioca, enquanto Marina, criada na fazenda da família, sempre levou uma vida simples e distante dos costumes liberais da cidade grande. Marina é então invadida por sentimentos de insegurança e inadequação. Afinal, numa vida em que todos – involuntariamente ou nem tanto – a comparam à primeira Madame Steen, será que seu amor por Roberto resistirá ao fantasma de uma mulher tão especial?

A sucessora é um romance envolvente escrito por Carolina Nabuco, uma das primeiras mulheres brasileiras a atuar como escritora. Publicado em 1934, alcançou grande sucesso editorial, recebendo várias reedições no Brasil. Em 1941, com o Oscar de melhor filme para Rebecca, a mulher inesquecível, do diretor Alfred Hitchcock, um debate internacional teve início: o romance que inspirou o filme, da inglesa Daphne du Maurier, publicado em 1938, teria sido plágio de A sucessora. A semelhança entre os romances foi reconhecida por críticos literários da época, e não se trata de mera coincidência: antes da publicação, Carolina Nabuco enviou ao agente literário da escritora inglesa os originais de seu livro, traduzidos por ela mesma para o inglês. Nabuco, contudo, preferiu evitar conflitos judiciais.

Décadas mais tarde, a narrativa de A sucessora foi adaptada para o formato de telenovela por Manoel Carlos e exibida com sucesso pela Rede Globo entre 1978 e 1979, tendo Susana Vieira no papel de Marina.


(RE)DESCOBRINDO CAROLINA NABUCO

Carolina Nabuco foi uma das primeiras mulheres brasileiras a atuar como escritora. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1890, e passou a adolescência nos Estados Unidos, onde o pai era embaixador do Brasil. Ficou conhecida, justamente, pela biografia que escreveu dele: A vida de Joaquim Nabuco, publicada em 1928. Apesar de ter obtido reconhecimento e prestígio durante a vida, sua obra sofreu uma relativa ausência dos estudos literários no Brasil. Isso também ocorreu com outras escritoras que antecedem a primeira metade do século XX.

Desde a década de 1970, contudo, a crítica literária feminista passou a resgatar muitas produções significativas, com o objetivo de divulgar e estimular a leitura dessas vozes femininas. A sucessora, romance de Carolina Nabuco publicado em 1934, faz parte dessa (re)descoberta.

Por meio da leitura deste livro, é possível observar a situação da mulher na sociedade e os caminhos percorridos por ela até conquistar sua identidade em um mundo patriarcal. Carolina Nabuco, aqui, faz um retrato da posição da mulher burguesa dentro da sociedade capitalista brasileira do início do século XX, considerando tabus e opressões que construíam a identidade da mulher naquele momento.

A crítica feminista classifica A sucessora como pertencente à primeira fase da trajetória da literatura brasileira de autoria feminina, vinculada à imitação e à internalização dos valores morais e dos padrões vigentes — após essa fase “feminina”,
autoras como Clarice Lispector, Lya Luft, Nélida Piñon, Adélia Prado, entre outras, romperiam com esse estado de coisas, colocando as relações de gênero como elementos das narrativas, abrindo espaço para dar voz à mulher e tornar visível a repressão sofrida por ela em diferentes práticas sociais.

Concebido inicialmente como conto (O retrato da primeira esposa), A sucessora atingiu grande sucesso editorial, recebendo várias reedições no Brasil, além de edições portuguesa, espanhola e italiana. Mais tarde, o escritor e autor de novelas Manoel Carlos adaptou a narrativa para o formato de telenovela, exibida pela Rede Globo entre 1978 e 1979.

Parte do sucesso do livro decorre também de uma grande polêmica envolvendo o romance Rebeca, da escritora britânica Daphne du Maurier, publicado em 1938 e que em 1940 foi adaptado para o cinema pelo diretor Alfred Hitchcock. Ao que tudo indica, Rebeca seria um plágio da obra de Nabuco. Álvaro Lins, um importante crítico literário da época, em coluna no jornal Correio da Manhã, confirma tal ocorrido, citando, inclusive, trechos e diálogos semelhantes nos dois livros, o que o leva a afirmar: “A sucessora e Rebeca são duas obras tão semelhantes como não creio que se possam encontrar outras em toda a história da literatura”.

Independentemente das polêmicas, A sucessora configura-se como importante obra modernista, que une a prosa intimista e psicológica ao dar voz a uma protagonista feminina, à vertente regionalista e ao mostrar o processo de modernização pelo qual o Brasil passou na década de 1930.

É exatamente nesse ponto que o romance de Carolina Nabuco se vincula ao tema Diálogos com a Sociologia e a Antropologia, permitindo observardiferentes estilos de vida nas cidades brasileiras” em épocas distintas, bem como as raízes históricas relacionadas ao papel social da mulher, culminando em uma reflexão sobre o que se tem denominado empoderamento feminino e sua historicidade.

O relato também é bem-sucedido ao traçar um registro sócio-histórico fiel e preciso da época, quando, nos anos pós-Abolição, ex-escravos e seus descendentes ainda viviam e trabalhavam nas grandes fazendas, já em decadência financeira, em contraponto à ascensão das indústrias nas grandes cidades.

Por conta de tudo isso, ler esta obra é participar de uma reflexão que pode ser contextualizada pelo diálogo entre diferentes épocas, permitindo a você, jovem leitor, o estabelecimento de um posicionamento apreciativo, crítico e produtivo com a obra literária. Espera-se que a leitura também possa estimular uma análise dos avanços referentes ao posicionamento da mulher e a outros valores que constituíram a sociedade brasileira e que, em muitas situações do presente, ainda ecoam na vida social.

Além de A vida de Joaquim Nabuco e de A sucessora, Carolina Nabuco também é autora, entre outros livros, de Chamas e cinzas (romance, 1947), Visão dos Estados Unidos (viagem, 1953), Santa Catarina de Sena (biografia, 1957), A vida de Virgílio de Melo Franco (biografia, 1962), Retrato dos Estados Unidos à luz da sua literatura (crítica literária, 1967), O ladrão de guarda-chuva e dez outras histórias (coletânea de contos, 1969) e Oito décadas (memórias, 1973).

Apesar da educação recebida no exterior, possuía um espírito altamente brasileiro. Atuou como escritora e tradutora e levou uma vida discreta. Não se casou nem teve filhos. Em 1978, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Quatro anos depois, em agosto de 1981, faleceu em decorrência de um ataque cardíaco, aos 91 anos, em sua casa na rua Marquês de Olinda, no Rio de Janeiro.


ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
Livro do estudante:
Título:
 A sucessora
Autor: Carolina Nabuco
Editora: Instante
ISBN: 978-85-52994-02-2
Formato: 135 mm x 205 mm
Número de páginas: 200
Edição: 1ª
Ano de lançamento: 2018

Manual do Professor:
Título:
 A sucessora – Manual do Professor
Editora: Instante
Formato: 135 mm x 205 mm
Número de páginas: 24
Edição: 1ª
Ano de lançamento: 2018

A sucessora é uma publicação da Editora Instante.

A Sucessora
A Sucessora

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0156L18603

Categoria 6: 1º ao 3º anos do Ensino Médio
Gênero: Romance
Temas:
- Diálogos com a sociologia e a antropologia
- Papel da mulher na sociedade
- Igualdade de gêneros
Número de páginas: 200

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SINOPSE DA OBRA

A sucessora une prosa intimista e psicológica ao dar voz a uma protagonista feminina: Marina, uma jovem recém-casada que após uma romântica lua de mel muda-se para a mansão do marido, o milionário Roberto Steen. Ao entrar em sua nova residência, depara-se com um imponente retrato de Alice, a primeira mulher de Roberto, falecida poucos meses antes de Marina e ele se conhecerem. Alice era dona de uma personalidade exuberante e um ícone da sociedade carioca, enquanto Marina, criada na fazenda da família, sempre levou uma vida simples e distante dos costumes liberais da cidade grande. Marina é então invadida por sentimentos de insegurança e inadequação. Afinal, numa vida em que todos – involuntariamente ou nem tanto – a comparam à primeira Madame Steen, será que seu amor por Roberto resistirá ao fantasma de uma mulher tão especial?

A sucessora é um romance envolvente escrito por Carolina Nabuco, uma das primeiras mulheres brasileiras a atuar como escritora. Publicado em 1934, alcançou grande sucesso editorial, recebendo várias reedições no Brasil. Em 1941, com o Oscar de melhor filme para Rebecca, a mulher inesquecível, do diretor Alfred Hitchcock, um debate internacional teve início: o romance que inspirou o filme, da inglesa Daphne du Maurier, publicado em 1938, teria sido plágio de A sucessora. A semelhança entre os romances foi reconhecida por críticos literários da época, e não se trata de mera coincidência: antes da publicação, Carolina Nabuco enviou ao agente literário da escritora inglesa os originais de seu livro, traduzidos por ela mesma para o inglês. Nabuco, contudo, preferiu evitar conflitos judiciais.

Décadas mais tarde, a narrativa de A sucessora foi adaptada para o formato de telenovela por Manoel Carlos e exibida com sucesso pela Rede Globo entre 1978 e 1979, tendo Susana Vieira no papel de Marina.


(RE)DESCOBRINDO CAROLINA NABUCO

Carolina Nabuco foi uma das primeiras mulheres brasileiras a atuar como escritora. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1890, e passou a adolescência nos Estados Unidos, onde o pai era embaixador do Brasil. Ficou conhecida, justamente, pela biografia que escreveu dele: A vida de Joaquim Nabuco, publicada em 1928. Apesar de ter obtido reconhecimento e prestígio durante a vida, sua obra sofreu uma relativa ausência dos estudos literários no Brasil. Isso também ocorreu com outras escritoras que antecedem a primeira metade do século XX.

Desde a década de 1970, contudo, a crítica literária feminista passou a resgatar muitas produções significativas, com o objetivo de divulgar e estimular a leitura dessas vozes femininas. A sucessora, romance de Carolina Nabuco publicado em 1934, faz parte dessa (re)descoberta.

Por meio da leitura deste livro, é possível observar a situação da mulher na sociedade e os caminhos percorridos por ela até conquistar sua identidade em um mundo patriarcal. Carolina Nabuco, aqui, faz um retrato da posição da mulher burguesa dentro da sociedade capitalista brasileira do início do século XX, considerando tabus e opressões que construíam a identidade da mulher naquele momento.

A crítica feminista classifica A sucessora como pertencente à primeira fase da trajetória da literatura brasileira de autoria feminina, vinculada à imitação e à internalização dos valores morais e dos padrões vigentes — após essa fase “feminina”,
autoras como Clarice Lispector, Lya Luft, Nélida Piñon, Adélia Prado, entre outras, romperiam com esse estado de coisas, colocando as relações de gênero como elementos das narrativas, abrindo espaço para dar voz à mulher e tornar visível a repressão sofrida por ela em diferentes práticas sociais.

Concebido inicialmente como conto (O retrato da primeira esposa), A sucessora atingiu grande sucesso editorial, recebendo várias reedições no Brasil, além de edições portuguesa, espanhola e italiana. Mais tarde, o escritor e autor de novelas Manoel Carlos adaptou a narrativa para o formato de telenovela, exibida pela Rede Globo entre 1978 e 1979.

Parte do sucesso do livro decorre também de uma grande polêmica envolvendo o romance Rebeca, da escritora britânica Daphne du Maurier, publicado em 1938 e que em 1940 foi adaptado para o cinema pelo diretor Alfred Hitchcock. Ao que tudo indica, Rebeca seria um plágio da obra de Nabuco. Álvaro Lins, um importante crítico literário da época, em coluna no jornal Correio da Manhã, confirma tal ocorrido, citando, inclusive, trechos e diálogos semelhantes nos dois livros, o que o leva a afirmar: “A sucessora e Rebeca são duas obras tão semelhantes como não creio que se possam encontrar outras em toda a história da literatura”.

Independentemente das polêmicas, A sucessora configura-se como importante obra modernista, que une a prosa intimista e psicológica ao dar voz a uma protagonista feminina, à vertente regionalista e ao mostrar o processo de modernização pelo qual o Brasil passou na década de 1930.

É exatamente nesse ponto que o romance de Carolina Nabuco se vincula ao tema Diálogos com a Sociologia e a Antropologia, permitindo observardiferentes estilos de vida nas cidades brasileiras” em épocas distintas, bem como as raízes históricas relacionadas ao papel social da mulher, culminando em uma reflexão sobre o que se tem denominado empoderamento feminino e sua historicidade.

O relato também é bem-sucedido ao traçar um registro sócio-histórico fiel e preciso da época, quando, nos anos pós-Abolição, ex-escravos e seus descendentes ainda viviam e trabalhavam nas grandes fazendas, já em decadência financeira, em contraponto à ascensão das indústrias nas grandes cidades.

Por conta de tudo isso, ler esta obra é participar de uma reflexão que pode ser contextualizada pelo diálogo entre diferentes épocas, permitindo a você, jovem leitor, o estabelecimento de um posicionamento apreciativo, crítico e produtivo com a obra literária. Espera-se que a leitura também possa estimular uma análise dos avanços referentes ao posicionamento da mulher e a outros valores que constituíram a sociedade brasileira e que, em muitas situações do presente, ainda ecoam na vida social.

Além de A vida de Joaquim Nabuco e de A sucessora, Carolina Nabuco também é autora, entre outros livros, de Chamas e cinzas (romance, 1947), Visão dos Estados Unidos (viagem, 1953), Santa Catarina de Sena (biografia, 1957), A vida de Virgílio de Melo Franco (biografia, 1962), Retrato dos Estados Unidos à luz da sua literatura (crítica literária, 1967), O ladrão de guarda-chuva e dez outras histórias (coletânea de contos, 1969) e Oito décadas (memórias, 1973).

Apesar da educação recebida no exterior, possuía um espírito altamente brasileiro. Atuou como escritora e tradutora e levou uma vida discreta. Não se casou nem teve filhos. Em 1978, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Quatro anos depois, em agosto de 1981, faleceu em decorrência de um ataque cardíaco, aos 91 anos, em sua casa na rua Marquês de Olinda, no Rio de Janeiro.


ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
Livro do estudante:
Título:
 A sucessora
Autor: Carolina Nabuco
Editora: Instante
ISBN: 978-85-52994-02-2
Formato: 135 mm x 205 mm
Número de páginas: 200
Edição: 1ª
Ano de lançamento: 2018

Manual do Professor:
Título:
 A sucessora – Manual do Professor
Editora: Instante
Formato: 135 mm x 205 mm
Número de páginas: 24
Edição: 1ª
Ano de lançamento: 2018

A sucessora é uma publicação da Editora Instante.